MÚSICA – a Voz Sonora de DEUS

MÚSICA – a Voz Sonora de DEUS

Assim como Deus – o Absoluto (Espírito Criador Incriado) é totalmente incompreensível, inabordável e indescritível na sua essência às Mentes humanas. Pode-se tentar concebê-lo por via intuitiva, sem defini-lo na sua natureza e, primariamente, entendê-lo como composto de Força e Energia Primordiais que coexistem, se interpenetram e interagem, tendo a primeira ascendência sobre a segunda. Ele é o suporte básico e infinito de toda a Criação desde toda a eternidade. Uma das suas criaturas é a Centelha. O Homem possui uma Centelha e o Universo também, mas existem infinitas formas de vida inimagináveis ao entendimento comum. Ele sabe tudo e tudo penetra e vivifica, porque é a fonte de tudo. Ele é a própria Vida. – a Música sempre existiu e é eterna. Na Terra, das artes é a mais antiga. Mesmo antes de a vida humana começar na Terra, a Música já estava aqui – nos riachos, nos ventos, nas ondas do mar e dos lagos, no ar… Quando as primeiras árvores, flores e plantas apareceram, a música estava entre elas, em suma, nos quatro reinos da Natureza. E quando o Homem surgiu, imediatamente tornou-se o veículo mais delicado, mais subtil e mais poderoso para a manifestação das emoções e aspirações sublimes do Homem.

GUILHERME DE ABREU CORREIA

Em qualquer latitude a música é linguagem universal; é uma dádiva que Deus concede ao espírito para a sua felicidade eterna. É poesia cósmica expressa em sons, em vez de palavras. É a composição sonora que vibra pelo infinito, sob a batuta do Regente Divino; traz na sua intimidade a palpitação da própria Natureza, plena de forças criadoras, contendo em si a Beleza, a Poesia, a Inspiração e o Êxtase. Manifesta-se sob os desígnios amorosos do Espírito Criador, o Absoluto, a todos os seus filhos. A sua mensagem é sentida mesmo através da emotividade rude e primária do selvagem, embora seja música monótona, cujo ritmo cansa e desagrada ao civilizado. O batuque enfadonho penetra, inexoravelmente, na psique dos mais desprevenidos e, às vezes, o transe hipnótico comprova a força que há na linguagem dos sons, embora primitivos. É a função verdadeira da música na alma, em qualquer estado espiritual e situação geográfica do mundo. Deus provê o anjo no seu cósmico entendimento, dando-lhe o êxtase através da música das esferas, mas também envia ao seu filho que mal inicia os rudimentos de linguagem no seio da floresta, a mensagem viva dos sons que lhe aquecem os sonhos primitivos e lhe amansam a alma embrutecida.

O que existe no Som que “hipnotiza” os homens? O tom e o ritmo do som influenciam o tom e o ritmo do nosso ser. O som é o Verbo Criador; daí não existir vida no universo manifestado ou imanifestado no Cosmo sem som próprio, que nada mais é do que as modulações e frequências que acompanham o tónus vibratório de cada criatura – espírito imortal. A “linguagem” do som é a expressão da alma no Universo, da vida no Cosmo.

Tanto quanto o homem ascende para o Alto, mais ele se aproxima da mensagem da Música, como alta manifestação da Natureza Divina!
A Música atinge a todos os sentidos humanos, bastando que eles sejam desenvolvidos sob férrea disciplina iniciática que aprimora o homem interior.
Os sons, as cores e as energias, estão interligados de tal modo que, todos os seres existentes no Universo, são identificados pela vibração da sua energia própria, expressa pela cor e som próprios!

A Música possui a virtude de formar verdadeiros “canais cósmicos sonoros”, das forças curadoras do espírito.

A Música, pelo mistério que possui, consegue hipnotizar o homem-animal, e, despertando nele o Homem-Espírito, põe-lhe a consciência em sintonia com os Poderes Divinos.
Na Terra, a Música será motivo de futuro melhoramento da consciência colectiva, porque ela age no físico, emocional, espiritual e mental. É necessário que os nossos psicólogos, compositores e cientistas se interessem pela propagação da música criadora de sentimentos elevados, em vez de um conjunto de melodias estimulantes de recalcamentos libidinosos. Ela é impulso de vida, dinâmica e criadora; serve para a modelação harmoniosa da alma e do corpo.

A Música une e confraterniza os homens, e faz-se entendível em qualquer ângulo do planeta; a sua beleza e inspiração, sobrevivem ao tempo e anula o espaço. Desenvolve as faculdades subtis da alma e ajusta o ritmo do corpo.

É um cântico divino e sublime da vida, que o Espírito Criador inspira à alma, para acelerar a sua eterna felicidade.
Mesmo no nosso mundo material de vibrações grosseiras, a Música é a única Arte que participa e reflecte expressões sublimes, daquela espiritualidade em que a alma, embora prisioneira de um corpo carnal, já consegue mergulhar-se no êxtase que fá-la aspirar o suavíssimo perfume das alegrias celestiais!

[Estes textos têm direitos reservados de Autor: I.S.B.N. n.º 972 – 99335 – 2 – 9, Depósito Legal: 221595/20005, (Funchal – Portugal) do Livro “O ADEUS” de GUILHERME DE ABREU CORREIA].

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Funchal – Ilha da Madeira, 20 de Setembro de 2011

GUILHERME DE ABREU CORREIA

O Presidente da Assembleia-Geral da Associação de Bandolins da Madeira

Escritor Espiritualista Universalista e ex-Músico Amador

A MÚSICA – CONCEPÇÃO E SEUS EFEITOS NA VIDA HUMANA E ESPIRITUAL

 1 – CONCEPÇÃO E SÍNTESE

 Assim como Deus – o Absoluto (Espírito Criador Incriado) é totalmente incompreensível, inabordável e indescritível na sua essência às Mentes humanas. Pode-se tentar concebê-lo por via intuitiva, sem defini-lo na sua natureza e, primariamente, entendê-lo como composto de Força e Energia Primordiais que coexistem, se interpenetram e interagem, tendo a primeira ascendência sobre a segunda. Ele é o suporte básico e infinito de toda a Criação desde toda a eternidade. Uma das suas criaturas é a Centelha. O Homem possui uma Centelha e o Universo também, mas existem infinitas formas de vida inimagináveis ao entendimento comum. Ele sabe tudo e tudo penetra e vivifica, porque é a fonte de tudo. Ele é a própria Vida. – a Música existiu sempre e é eterna. Das artes é a mais antiga. Mesmo antes de a vida começar na Terra, a Música já estava aqui – nos riachos, nos ventos e nas ondas. Quando as primeiras árvores, flores e plantas apareceram, a música estava entre elas. E quando o Homem surgiu, tornou-se imediatamente o veículo mais delicado, mais subtil e mais poderoso para a manifestação das emoções e aspirações sublimes do Homem.

Em qualquer latitude a música é linguagem universal; é uma dádiva que Deus concede ao espírito para a sua felicidade eterna. É poesia cósmica expressa em sons, em vez de palavras. É a composição sonora que vibra pelo infinito, sob a batuta do Regente Divino; traz na sua intimidade a palpitação da própria Natureza, plena de forças criadoras, contendo em si a Beleza, a Poesia, a Inspiração e o Êxtase. Manifesta-se sob os desígnios amorosos do Pai Eterno, a todos os seus filhos. A sua mensagem é sentida mesmo através da emotividade rude e primária do selvagem, embora seja música monótona, cujo ritmo cansa e desagrada ao civilizado. O batuque enfadonho penetra, inexoravelmente, na psique dos mais desprevenidos e, às vezes, o transe hipnótico comprova a força que há na linguagem dos sons, embora primitivos. É a função verdadeira da música na alma, em qualquer estado espiritual e situação geográfica do mundo. Deus provê o anjo no seu cósmico entendimento, dando-lhe o êxtase através da música das esferas, mas também envia ao seu filho que mal inicia os rudimentos de linguagem no seio da floresta, a mensagem viva dos sons que lhe aquecem os sonhos primitivos e lhe amansam a alma embrutecida.

O que existe no som que “hipnotiza” os homens? O tom e o ritmo do som influenciam o tom e o ritmo do nosso ser. O som é o Verbo Criador; daí não existir vida no universo manifestado ou imanifestado no Cosmo sem som próprio, que nada mais é do que as modulações e frequências que acompanham o tónus vibratório de cada criatura – espírito imortal. A “linguagem” do som é a expressão da alma no Universo, da vida no Cosmo.

Tanto quanto o homem ascende para o Alto, mais ele se aproxima da mensagem da música, como alta manifestação da Natureza Divina!

A Música atinge a todos os sentidos humanos, bastando que sejam eles desenvolvidos sob férrea disciplina iniciática que aprimora o homem interior.

Os sons, as cores e as energias, estão interligados de tal modo que, todos os seres existentes no Universo, são identificados pela vibração da sua energia própria, expressa pela cor e som próprios!

A Música possui a virtude de formar verdadeiros “canais cósmicos sonoros”, das forças curativas do espírito.

A Música, pelo mistério que possui, consegue hipnotizar o homem-animal; e, despertando nele o Homem-Espírito, põe-lhe a consciência em sintonia com os Poderes Divinos.

Na Terra, a Música será motivo de futuro melhoramento da consciência colectiva, porque ela age no físico, emocional, espiritual e mental. É necessário que os nossos psicólogos, compositores e cientistas se interessem pela propagação da música criadora de sentimentos elevados, em vez de um conjunto de melodias estimulantes de recalcamentos libidinosos. Ela é impulso de vida, dinâmica e criadora; serve para a modelação harmoniosa da alma e do corpo.

A Música une e confraterniza os homens, faz-se compreensível em qualquer ângulo do planeta; a sua beleza e inspiração sobrevivem ao tempo e anula o espaço. Desenvolve as faculdades subtis da alma e ajusta o ritmo do corpo.

É um cântico divino e sublime da vida, que o Espírito Criador inspira à alma, para acelerar a sua eterna felicidade.

Mesmo no nosso mundo material de vibrações grosseiras, a Música é a única Arte que participa e reflecte expressões sublimes daquela espiritualidade em que a alma, embora prisioneira de um corpo carnal, já consegue mergulhar-se no êxtase que fá-la aspirar o suavíssimo perfume das alegrias celestiais!

[Estes textos têm direitos reservados de Autor: I.S.B.N. n.º 972 – 99335 – 2 – 9, Depósito Legal: 221595/20005, (Funchal – Portugal) do Livro “O ADEUS” de GUILHERME DE ABREU CORREIA].

Funchal – Ilha da Madeira, 20 de Setembro de 2011

GUILHERME DE ABREU CORREIA – O Presidente da Assembleia-Geral da Associação de Bandolins da Madeira

[Escritor Espiritualista Universalista e ex-Músico Amador]

2 – CONTINUAÇÃO DAS ELUCIDAÇÕES GERAIS

 Indubitavelmente, em qualquer latitude a música é linguagem universal; é uma dádiva que Deus concede ao espírito para a sua felicidade eterna. É poesia cósmica expressa em sons, em vez de palavras. É a composição sonora que vibra pelo infinito, sob a batuta do Regente Divino; traz na sua intimidade a palpitação da própria Natureza, plena de forças criadoras, contendo em si a Beleza, a Poesia, a Inspiração e o Êxtase. Manifesta-se sob os desígnios amorosos do Espírito Criador, o Absoluto, a todos os seus filhos. A sua mensagem é sentida mesmo através da emotividade rude e primária do selvagem, embora seja música monótona, cujo ritmo cansa e desagrada ao civilizado. No entanto, quando o próprio silvícola se impregna do calor e da energia criadora da música, o seu ritmo letárgico e indiferente, cria vida e alento. O batuque maçador penetra, inexoravelmente, na psique dos mais desprevenidos e, às vezes, o transe hipnótico comprova a força que há na linguagem dos sons, embora primitivos. É a função verdadeira da música na alma, em qualquer estado espiritual e situação geográfica do mundo. Deus provê o anjo no seu cósmico entendimento, dando-lhe o êxtase através da música das esferas, mas também envia ao seu filho que mal inicia os rudimentos de linguagem no seio da floresta, a mensagem viva dos sons que lhe aquecem os sonhos primitivos e lhe amansam a alma embrutecida.

A Música é a “arte de raciocinar em sons”, e corresponde, hermeticamente, ao nível já alcançado pelo homem na sua espiritualidade e equilíbrio mental. Futuramente, em mentes mais evolvidas, decerto a música será amplamente essa arte de “raciocinar em sons”. O Homem preferirá raciocinar sobre todos os fenómenos do seu presente e será avesso ao retorno do passado, mesmo através da evocação musical. Desinteressar-se-á de recompor lições, cenas ou situações já vividas; a sua mensagem sonora será sempre uma expressão progressista no caminho educativo da forma. Os seus compositores não evocarão, eles pensarão; será um “meditar em sons” essencialmente criador.

O plano da composição musical é obviamente mental; os sons ajustam-se, formam frases e melodias no silêncio da alma do compositor. A música pode ser materializada, em seguida, na combinação física dos sons, impregnada da emoção, da sensibilidade ou intuição do compositor, mas o seu primeiro conhecimento há-de ser no campo invisível do pensamento. Presentemente, os nossos compositores elaboram mentalmente o projecto musical e quando o transmitem para o mundo, imprimem-lhe a sua sensibilidade “psico-emotiva”; futuramente, os autores pensarão nas suas composições musicais, mas entregá-las-ão ao público libertas das suas emoções individualistas, passionais e idiossincrasias, realizando o melhor que podem e sabem, visando ao bem e à alegria do conjunto, sem interposição dos seus dramas íntimos. Será um trabalho unicamente em função do prazer e educação alheia, semelhando o ourives que confecciona preciosa jóia para o cliente desconhecido.

No futuro, embora um pouco distante, a Música será de vigília mental, contrária ao “auto-esquecimento”, à evocação e devaneio saudosistas. Referir-se-á exclusivamente ao espírito eterno e criador e dirá respeito à configuração futura do anjo, aprimorando a reflexão para um sentido cósmico. Cumpre-lhe a edificante função de desenvolver a razão humana para o mais breve desprendimento da escravidão material. O nível mental exigirá emoções progressistas e não regressivas, fazendo preferir a música que planeia, coordena e eleva, em vez de melodia chorosa, romântico-mórbida ou melodramática que obriga a alma a estacionar na subida à procura da sua consciência espiritual.

Porventura assemelhar-se-á à que hoje se denomina de música contemporânea? A humanidade terrena ainda é avessa às composições contemporâneas, cerebrais e dissonantes. É possível tratar-se de mensagem superior?

Indubitavelmente, é mensagem avançada, mas ainda falha quanto à sua exacta exposição. Os seus autores “sentem” na intimidade da alma o verdadeiro sentido da música futura, para quando o homem terrestre possuir o equilíbrio intelectual e o sentimento completamente aprimorado. Buscam dar forma a essa ideia musical que lhes canta no âmago do espírito. Essa “linguagem sonora”, vigorosa, dinâmica e criadora, é a luta para vencer o recalcamento emotivo das tradições hereditárias; desejam compor exclusivamente pelo raciocínio e não sob o domínio emocional do coração. É mensagem superior mas a maioria das pessoas mal percebe os seus fragmentos, devido à interferência ou reflexos das suas emoções inferiores, ainda indomináveis.

Quais são as expressões da música contemporânea, que nos identificam com a futura música mentalista da Nova Era de Aquário?

Fundamentalmente, já podemos verificar a sua força libertadora dos cânones tradicionais e secundariamente, pelo dinamismo instrumental que exige harmonias dissonantes e choques melódicos. Embora ainda excêntrica e insuportável para os ouvidos condicionados aos longos feixes de melodias flutuantes, conduzidos por conjuntos de violinos e violoncelos, há certa poesia do movimento. Nessa música, realmente, o coração é sacrificado ao espírito. Exige do ouvinte mais atenção para ser “compreendida”, do que realmente para ser gozada. É admissível que as pessoas ainda se sintam apáticas ou aturdidas, pois há supressão do lirismo tradicional e também deliberada ausência do factor humano. A velocidade, a cor, a harmonia nas dissonâncias e a elasticidade na arquitectura de certos trechos, exigem que a sensibilidade do ouvinte esteja plenamente sob o controlo da mente vigilante. Em vez dos devaneios emotivos, requer o raciocínio alerta ante as imprevistas liberdades de cada instrumento.

O compositor terá de saber a mensagem exacta do som. Isto é a aprendizagem dos valores intrínsecos do som, pois deverá conhecer o efeito e a significação de cada nota musical, inclusive a sua variação na escala de intensidade sonora, em perfeita correspondência com a manifestação psíquica humana. Os “clarividentes” mais evolvidos já podem ouvir a nota musical e ver-lhe a cor, o perfume, a disposição táctil, o peso e a temperatura no campo etérico. A música atinge a todos os sentidos humanos, bastando que sejam eles desenvolvidos sob férrea disciplina iniciática que aprimora o homem interior. A combinação de cores, sons, perfumes e luzes nos estabelecimentos escolares deve ter por desígnio desenvolver a acuidade psíquica da criança e proporcionar o acesso mais breve aos valores subtis das esferas espirituais.

Além de emoções e inspirações superiores, qual será um dos sentidos mais úteis da Música?

Conjugada à cor, como terapêutica musical, a fim de restabelecer a harmonia entre as energias da alma e a emotividade do sistema nervoso. Os sacerdotes dirigentes dos “templos espiritualistas” saberão ligar-se directamente ao que nós denominaríamos os “Arcanjos da Música”, ou a fonte espiritual da Música. Os mantras curativos, na evocação do “ego superior”, que ainda usamos em algumas instituições iniciáticas e que é tradicional entre os Orientais, constituem excelente terapêutica musical conhecida desde a Lemúria e a Atlântida.

A mente tem que estar espiritualmente ligada ao Alto. Há que compreender que o “som tem cor” e a “cor tem som”. As reacções psicológicas dos ouvintes demonstram que eles participam e sentem também as emoções causadas pelo som e pela cor em vibração uníssona.

A música possui a virtude de formar verdadeiros “canais cósmicos sonoros”, das forças curativas do espírito; e os livros fundamentais de todas as doutrinas espiritualistas estão repletos de episódios em que a música é parte integrante das emoções sublimadas. Assim como as cerimónias ritualistas impressionam pelas suas pompas exteriores, a música empolga a alma pela sublimidade das suas vibrações sonoras. A música, pelo mistério que possui, consegue hipnotizar o homem-animal; e, despertando nele o Homem-Espírito, põe-lhe a consciência em sintonia com os Poderes Divinos. Grande parte das realizações no plano da intuição, futuramente na Terra, dever-se-á à influência que a música exerce na alma. Seleccionando melodias para os ouvintes, os terrestres conseguirão despertar emoções criadoras de objectivos superiores. Através dos sons excelsos, apurarão a sensibilidade do espírito e este desenvencilhar-se-á, mais cedo, da canga da música sensual, mórbida ou maliciosa, que rebaixa a alma.

Na Terra, a Música será motivo de futuro melhoramento da consciência colectiva, porque ela age no físico, emocional, espiritual e mental. É necessário que os nossos psicólogos, compositores e cientistas se interessem pela propagação da música criadora de sentimentos elevados, em vez de um conjunto de melodias estimulantes de recalcamentos libidinosos. Ela é impulso de vida, dinâmica e criadora; serve para a modelação harmoniosa da alma e do corpo. Embora se manifeste, também, alentando emoções regionais e os anseios locais, na feição de música popular, há que ser cordial e límpida, que sensibilize a alma e afaste as insinuações indecorosas. É uma linguagem alta, divina, que não deve ser convertida em ritmos lascivos, ou insinuantes à malícia, aos crimes de lesa-beleza. Admite-se o ritmo inocente e bruto do selvagem, pois está em consonância com a rudeza do seu ambiente; mas não quanto ao civilizado, que já sabe distinguir a diferença entre a melodia superior e a indecente. O desejo de uma mais breve angelitude exige, também, maior familiaridade com a música que traz o brado emotivo e a ansiedade de pássaros cativos, como foram os nossos esclarecidos compositores da música divina, como J. S. Bach, Mozart, Beethoven e outros! Tanto quanto o homem se eleva para o Alto, mais ele se aproxima da mensagem da música, como alta manifestação da Natureza Divina!

Será que alcançaremos na Terra, o desiderato da música de outros mundos superiores?

Evidentemente! Paulatinamente os seus admiradores estão surgindo e entendendo a singular mensagem renovadora dos sons. Naturalmente, variam, no nosso mundo, os modos de ouvir; há os que preferem só a beleza física do som; outros reagem pela emoção, alguns pelo intelecto puro e outros como ouvintes psíquicos, recebendo-a por via espiritual! Há os que a desejam em forma abstracta, no devaneio aos mundos metafísicos; e outros que se rejubilam pela forma descritiva, anotando a pulsação sonora do riacho na floresta através do fio agudo e suave da flauta, ou então, o canto dos passarinhos pelo flautim ou as ameaças da Natureza, na voz grave e ameaçadora da tempestade, que é o violoncelo. Havemos de alcançar esse desiderato, pois a música une e confraterniza os homens, faz-se compreensível em qualquer ângulo do planeta; a sua beleza e inspiração sobrevivem ao tempo e anula o espaço. Desenvolve as faculdades subtis da alma e ajusta o ritmo do corpo. Conforme nos comunicam os mentores Espirituais, a Música, essa voz sonora de Deus, essência predominante em todo o Cosmo, é a Visão que a alma pode ter na consecução final do seu Ideal – a destinação de Anjo e de Arcanjo Eterno!

Mesmo no nosso mundo material de vibrações grosseiras, a MÚSICA é a única Arte que participa e reflecte expressões sublimes daquela espiritualidade em que a alma, embora prisioneira de um corpo carnal, já consegue mergulhar-se no êxtase que fá-la aspirar o suavíssimo perfume das alegrias celestiais!

 3 – A MÚSICA – OS SEUS EFEITOS  NA VIDA HUMANA E NA ESPIRITUAL

 A respeito dos princípios do som, quando a ciência descobre algo ao fim de um longo processo de comprovação para os homens materialistas, tudo leva à conclusão de que o misticismo e as coisas espirituais da humanidade já tinham as respostas desde os primórdios da nossa existência, consoante as palavras de Jesus: “Procurai primeiro o Reino de Deus e tudo o mais ser-vos-á dado por acréscimo”. De tempos a tempos, a sabedoria cósmica é novamente revelada aos homens, àqueles que procuram a verdade, seja nas religiões, nas filosofias, no misticismo e na ciência, ou por intermédio de outros meios, a encontrarão novamente no final da busca incessante das pérolas ocultas.

Aquilo que não nos é audível, pode marcar e interferir no nosso plano físico, como certas experiências conduzidas em laboratórios onde as vibrações sonoras que os nossos ouvidos não captam podem marcar placas e outros materiais. A ciência humana já comprovou em escala de vibrações que os valores sonoros vão de zero a 16 milhões de ciclos por segundo. O órgão auditivo só pode perceber de 16 a 32 mil ciclos. Os ultra-sons e infra-sons não excitam os nossos aparelhos auditivos, havendo uma infinidade de sons que não são captados por nós: certas frequências ultra-sónicas fazem a água entrar em ebulição e uma vara metálica ficar em alta temperatura, a ponto de nos queimar os dedos se a tocarmos. Com essas mesmas frequências, podemos cozer um ovo, eliminar bactérias e obter várias transformações químicas em vegetais.

Diante do exposto, podemos deduzir que todos os corpos têm a propriedade de gerar e receber frequências sonoras que se harmonizam ou não com o seu tom vibratório; os sons actuam com as suas vibrações nos demais corpos, afectando o ordenamento molecular, influindo nos processos físico-químicos, modelando formas geométricas e provocando fenómenos de atracção e repulsão, ou ainda influindo na coesão orgânica da matéria.

O que existe no som que “hipnotiza” os homens? O tom e o ritmo do som influenciam o tom e o ritmo do nosso ser. O espírito é acompanhado da capacidade de ressoar ao tom e ritmo que nos chegam pelos corpos subtis que “envolvem” a centelha espiritual. Essas capacidades da alma fazem com que nos sintamos atraídos por determinados tipos de sons: o canto dos pássaros, a voz do tenor, do barítono ou do soprano, a sonoridade do violino, do bandolim, do violoncelo ou piano, do trombone, da flauta ou tambor. Os sons que nos impressionam ressoam no nosso interior por similaridade de ritmos, de frequências. Certo está que o grau de evolução consciencial de cada ser, a sua personalidade, carácter e conjunto de valores, que antecedem a sua natureza psíquica e o seu temperamento ante os estímulos exteriores, se é delicado ou bruto, prático ou sonhador, de acordo com a sua condição vibratória interna, determinam a intensidade em que será afectado pelos estímulos sonoros externos.

O som é o Verbo Criador; daí não existir vida no Universo manifestado ou imanifestado no Cosmo, sem som próprio, que nada mais é do que as modulações e frequências que acompanham o tom vibratório de cada espírito imortal.

Além da atracção que sentimos pelas cores e sons fazer-nos imaginar algo misterioso por trás dos cromatismos e sonoridades astrais e metafísicas, a resposta às nossas perquirições é que a “linguagem” do som é a expressão da alma no Universo, da vida no Cosmo. Os diferentes planos de existência são expressos em som, em modalidades de frequências que não podemos sentir. No entanto, as manifestações exteriores da nossa vida de encarnado são tão rígidas e densas, que os “segredos” da natureza ficam debaixo de mais amplas percepções, como se estivéssemos soterrados numa montanha de pedregulhos que encobrem as pepitas destinadas às finas peças de ourivesaria do espírito.

Imaginemos o sistema planetário como uma cítara cósmica: cada planeta emitindo no seu lugar uma nota correspondente à sua posição na longitude da corda. Isso é o que Pitágoras denominou de “música das esferas”. Além de interferir na matéria, o som exerce influência nas correspondências físicas e mentais dos homens.

Se é possível a existência do que é “audível” para as almas, mas não é acompanhado pelos nossos ouvidos, devemos ser capazes de grandes realizações a partir disso. O som não é apenas como o entendemos, da maneira como nos comunicamos. Também é uma forma de contacto com dimensões ocultas e com o nosso interior mais profundo.

A fim de se tornar possível a compreensão deste tema pelas pessoas desconhecedoras da sabedoria espiritual, faz-se necessário apresentar a síntese explicativa dos Corpos Espirituais do Homem. Esses famosos veículos do homem [os sete “corpos subtis” ou “corpos energéticos” – veículos do espírito – são: o corpo físico, o corpo etérico, o corpo astral ou perispírito, o corpo mental inferior (ou concreto), o corpo mental superior (ou abstracto) ou (corpo causal), o corpo búdico e o corpo átmico].

Resumindo:

EU SUPERIOR – Individualidade

Corpo Átmico

Corpo Búdico

Corpo Mental Superior [ou Mental Abstracto ou Corpo Causal]

EU INFERIOR – Personalidade

Corpo Mental Inferior (ou Concreto)

Corpo Astral

Corpo Etérico

Corpo Físico

Alguns pesquisadores, dentro do pouco que ainda podem alcançar, têm revelado concepções inexactas e até contraditórias, devido às deficiências interpretativas visuais, aos inexactos simbolismos psicológicos e às dificuldades de relacionamento das forças vibratórias da Terra, da Natureza e do Cosmo, no metabolismo energético. Há que se ter em atenção que oscilações vibratórias coloridas, com uma tonalidade-base, são transformadas, consoante a utilização de energia superior ou inferior [pelo pensamento, por exemplo], no metabolismo energético. Em cada cor-base, alinha-se sete subníveis variantes dela mesma, daqui resultando 7×7= 49 coloridos diferentes. Observe-se no corpo duplo-etérico do nosso espírito, os sete chacras ou centros-de-forças-etéricas, começando de baixo para cima. No chacra básico, a principal tonalidade é a cor vermelha, constituída por sete variantes coloridas até chegar ao alaranjado correspondente ao chacra umbilical ou solar, com as suas sete variantes até ao amarelo, correspondente ao chacra esplénico, e assim sucessivamente até ao chacra coronário, correspondente ao cérebro superior.

De forma muito simples e rudimentar, certo de que existe dentro de cada tonalidade, uma infinidade de tons inimagináveis, movediços, e desconhecidos para os olhos mais subtis, exemplifica-se algumas vagas equivalências, entre tons musicais e correspondentes cores e vibrações nos Sete Chacras do Homem:

1 – Chacra Básico ou kundalíneo = = com 4 raios na figura de uma cruz numa cor vermelha alaranjada, com algumas fulgurações escarlates em tons fugazes incandescentes = força primária e poder criador;

2Chacra Esplénico = = com 7 raios ou pétalas = absorve o Prana [Prana é a energia vital proveniente do Sol] e revela sete matizes de cores na sua absorção prânica, que são o roxo, o azul, o verde, o amarelo, o alaranjado, o vermelho forte e o róseo, que constituem os sete tons fundamentais da síntese branca do Prana; embora cada chacra possa apresentar diversos matizes de cores, neste, a cor predominante sobre os outros matizes coloridos do chacra esplénico é o vermelho quase róseo, pois este é o alimento principal do sistema nervoso;

3Chacra Umbilical ou Solar = MI = apresenta 10 ondulações, raios ou pétalas, variando entre as cores vermelhas e os tons verde cor de ervilha;

4Chacra Cardíaco = = tons cor de ouro nas pessoas de sentimentos nobres e ternos = rosa-dourado = rosa-carmim = equilíbrio do corpo emocional = despertar da afectividade = amor puro;

5Chacra Laríngeo = SOL = a cor predominante é de um azul-claro, matizado de suave lilás ou tom violeta brando, mas o seu aspecto geral quando em boa disposição funcional, lembra a tonalidade prateada do formoso raio de luar pousado sobre o mar tranquilo = o poder do verbo puro = a palavra da verdade = traz o poder da clarividência e clariaudiência;

6Chacra Frontal = = com 96 raios = nele predomina a cor rósea amarela, matizada com um pouco de azul-violáceo = comanda a visão = ligação à glândula hipófise = poder mental = percepções extra-sensoriais = limpeza espiritual profunda;

7Chacra Coronário = SI = situado no alto da cabeça, conhecido por “lótus de mil pétalas”, possui 960 raios principais e um centro menor em turbilhão colorido, ligação apresentando 12 ondulações ou raios, tem ligação à glândula pineal = é o elo de união entre a Mente Espiritual e o cérebro físico = é o centro responsável pela Sede da Consciência do Espírito = pode assumir as colorações mais exóticas e fascinantes, e o seu centro de diâmetro menor, apresenta-se numa cor branca, cor do lírio, luz cristal e deslumbrante, emitindo fulgurações dourados cada vez mais belas = é o elo da consciência angélica com o mundo material = é a sede da alma = é a união com o Todo, o universalismo, a realização pessoal, a relação com o Pai, a ligação com o centro irradiante do Universo Maior. ‍

 

OS SETE CORPOS ESPIRITUAIS DO HOMEM

Posições e vagas Equivalências entre Tons Musicais e correspondentes Cores e Vibrações

P

CHACRAS

CORPOS

TOM MUSICAL

 

COR BÁSICA

7 Coronário Átmico SI Dourada, Branca, Violeta ‍‍‍
6 Frontal Búdico Azul Índigo
5 Laríngeo Mental Superior SOL Azul-Celeste
4 Cardíaco Mental Inferior Verde
3 Umbilical Astral MI Amarelo
2 Esplénico Etérico Laranja
1 Básico Físico Vermelho

 

Poderemos dar uma demonstração objectiva sobre essa variedade de som em diversos campos vibracionais?

Os clarividentes do nosso mundo devem compreender que, fundamentalmente, as sete notas musicais correspondem a sete sons e sete cores diferentes e igual a mesmo número de perfumes, temperaturas astrais, densidades e até volumes assinaláveis no éter. As incontáveis combinações melódicas que se produzem numa orquestração sinfónica, proporcionam aos olhos clarividentes, verdadeiros espectáculos feéricos de luzes, cores e perfumes, em face dos sons corresponderem a inúmeras outras vibrações. O “” é vermelho-fogo e corresponde à vibração física do mundo material; o “” é de um verde-seda e desperta o sentimento poético pela Natureza terrestre; o “SI” é azul-celeste e refere-se ao êxtase, à emoção espiritual. A composição musical em “Dó maior” apresenta um fundo constante de vermelho, que oscila entre o chamejante claro, até à cor de sangue escuro; predomina ao olfacto clarividente a tonalidade de um perfume enérgico, parecido ao cravo; a textura astral é compacta no volume, áspera no tacto e bem aquecida à recepção etérica. Sob esses aspectos, a música sob a regência de “Dó maior” manifesta-se para os espíritos primitivos do nosso mundo, livres no astral, como expressão sonora enérgica e mais ou menos física. No entanto, a composição em “Fá menor”, além da sua suavidade no campo físico para o ouvinte, no plano “etéreo-astral” manifesta uma sedativa e tranquila mensagem pastoral, lembrando o perfume das rosas, as cores das campinas verdejantes e uma temperatura refrescante. É mais um convite à doçura e à poesia, enquanto a tonalidade “Dó maior” expressa acentuada força algo física.

Como exemplificação, a propósito do Ensino, de que modo a Música poderá formar um condicionamento educativo numa criança?

Visto tratar-se de um assunto complexo, de uma maneira dificultosa, com relação à educação da criança sob a acção da música, suponhamos que todas as lições morais, de educação, no tema “amor aos pássaros”, sejam proferidas sob um fundo musical em “Mi menor”. Depois, todas as vezes que a criança ouvir melodias na tonalidade de “Mi menor”, o seu subconsciente despertar-lhe-á a afectividade espontânea pelos pássaros.

Recomendamos muito cuidado e atenção, ao valor da Música e à aprendizagem dos valores intrínsecos do som, ao efeito e ao significado de cada nota musical, inclusive a sua variação na escala de intensidade sonora, em perfeita correspondência com a manifestação psíquica humana. Em suma: Os sons, as cores e as energias, estão interligados de tal modo que, todos os seres existentes no Universo, são identificados pela vibração da sua energia própria, expressa pela cor e som próprios! Ou seja, algures, no Universo, não existindo nenhum igual a outro, cada ser espiritual é plenamente conhecido e identificado [tanto em sabedoria como em sentimentos elevados, no caso de ser um Espírito] pela sua energia própria, expressa pela sua cor e som próprios!

A Música é um prolongamento vivo da alma e é mensagem afectiva e apreciada em qualquer região cósmica em que se manifeste, quer seja quando se resume apenas numa porção de sons brutais que se afinam à natureza rude do aborígene, quer quando se transforma numa catadupa fusão de melodias vibrando num oceano de sons, para servir de pouso às esferas rodopiantes e enlevo sideral aos Arcanjos constelatórios. É um cântico divino e sublime da vida, que o Criador inspira à alma, para acelerar a sua eterna felicidade. Deus, o Regente Cósmico, organiza e dirige a orquestra sinfónica sideral sob a sua batuta eterna; mas, à semelhança da Poesia, da Beleza, da Inspiração, o êxtase que a música produz tende a se manifestar progressivamente à consciência do espírito. Deste modo, temos de compreender que a música celeste, está tão distante para nós encarnados, quanto as Tocatas e Fugas de J. S. Bach ou o Tannhauser de Wagner estão distantes do batuque do selvagem. É melodia indescritível, que expressa a harmonia das esferas celestiais, das suas humanidades angélicas e da própria criação do Universo. A função importantíssima da música nas nossas almas é o de “desmaterializar” a nossa personalidade inferior, para eclodirem em nós os sentimentos definitivos do anjo criador. Ela apura a nossa emotividade e adoça a razão, impelindo-nos para as mais pacíficas e generosas realizações. Assim como a melodia terrena nos transmite o sentimento ou a emotividade do seu autor ou compositor, a música celeste cumpre o mesmo objectivo, trazendo nas suas asas magistrais, a mensagem sonora dos Arcanjos e do próprio Deus! Como fazer compreender essa grandiosidade, apenas através dos singelos sinais gráficos da linguagem reduzida do homem encarnado?! Para sentirmos essa música tão elevada, necessitaremos fundir-nos com o potencial harmónico que esteja vibrando no éter, para o qual temos de possuir a sensibilidade desenvolvida e um maior grau de evolução espiritual.

Como explicarmos o que é a “música celestial”? Há alguma diferença entre ela e a música que conhecemos?

É certo que poderemos fazer uma ideia aproximada da música celeste, mas tão-somente da que se executa nas comunidades ou cidades astrais e que, embora de padrão musical superior, sempre recorda algo semelhante ao que ainda se executa na Terra. Por isso, os desencarnados das cidades astrais sempre se enternecem com certas melodias que lhes dizem algo, familiar à alma; se ouvissem apenas composições estranhas, sem se aperceberem da profundidade do seu sentimento e se afinarem psicologicamente à sua mensagem de sons, é certo que haviam de se desinteressar delas e com bastante razão. As pessoas que na Terra são apaixonadas pelas composições de Beethoven, que se deliciam a escutar o “Concerto para Piano e Orquestra nº 5 em Mi bemol M”, a “Heróica”, a “Pastoral” e a Nona Sinfonia “Coral” – sem dúvida – ainda viverão indescritíveis momentos de êxtase espiritual, quando na cidade astral puderem ouvir essas mesmas composições através de instrumentação superior a tudo o que já conheceram no mundo físico. Do mesmo modo, também descobrirão novas nuances e riquezas de interpretação que desconheciam na Terra.

Mas para além das comunidades espirituais do astral próximo da Terra, a música celeste é alimento predilecto dos anjos, e encontra-se muitíssimo distante da nossa actual execução sideral. Não existe cérebro encarnado capaz de entendê-la pelos sentidos humanos, assim como também não se encontra ninguém que a possa explicar satisfatoriamente.

A sua exacta compreensão, só é possível, depois de termos passado pela experiência pessoal de senti-la, pois a música celeste, na verdade, não se prende à pauta e ao tempo, nem obedece às regras traçadas pela limitação dos sentidos humanos. Como se poderia demonstrar a eloquência, a força e a grandiosidade da 3.ª Sinfonia de Beethoven, a quem apenas aprecia o “bailinho” da Madeira ou o triste “fado” português? De que modo ser-vos-ia possível sentir a música celeste, que é completamente liberta de qualquer inspiração terrena ou de regras por vós conhecidas, comparando-a com os ruídos agradáveis da música humana?

A Música celeste, então, é uma maior expressão de harmonia?

Não há vocábulos para defini-la; se quiserem, imaginai-a música sem instrumentação e produzida pela combinação dos ritmos e das pulsações criadoras do próprio Deus – o Supremo Espírito Cósmico. Indubitavelmente, a música é sempre a intérprete da harmonia, a começar pela mais subtil vibração; o tantã, revela a harmonia compreendida pelo selvagem, e a sinfonia magistral revela o êxito da harmonia que o compositor consegue da própria harmonia entre todos os instrumentos. Como o homem civilizado já atingiu várias expressões da sua individualidade espiritual, sendo portador de maior riqueza emotiva e entendimento racional, a sua música é mais ampla, complexa e bela do que a do troglodita, que só possui um senso psicológico primitivo.

Os compositores terrenos chegarão um dia a produzir música susceptível de despertar algum interesse entre os moradores de uma cidade espiritual do Astral Superior?

Sem dúvida. Por que não? Muitas peças musicais que apreciamos na Terra são lá executadas até com respeitosa emoção.

Mas não é ilógico que a música terrena, como expressão artística de um mundo imperfeito, ainda possa despertar emoções ou atenção, numa alta comunidade espiritual? Qual é a sua disposição emotiva capaz de se afinar com a precariedade da música terrena?

Toda a composição musical é precedida de um plano mental, em que anteriormente os sons se ajustam e formam frases e melodias no silêncio da alma do compositor, assim como as ideias também surgem silenciosamente no cérebro do arquitecto quando ele pensa nas suas criações arquitectónicas.

Depois de surdo é que Beethoven compôs a sua mais avançada obra musical, ou seja, a majestosa “Nona Sinfonia” a “Coral”. Embora a música se expresse pela combinação dos sons físicos, o facto de que as composições trazem a própria emoção e sentimentalismo dos seus compositores, demonstra que a melodia surge anteriormente no silêncio da sua alma e só posteriormente se transforma em sons audíveis. Portanto, os sons, embora sejam materiais, não são propriamente produtos da instrumentação, mas sim do compositor, que anteriormente os “pensa”, bem antes de escrevê-los na partitura ou então improvisá-los no instrumento, como indiscutível resultado da sua ideação mental.

Basta pensarmos numa determinada melodia familiar, para que em seguida possamos ouvi-la soar no silêncio misterioso da nossa alma. Quando desejarmos reproduzir pelo instrumento qualquer música que já ouvimos, é indubitável que, antes, temos de pensar em ajustá-la à nossa mente, para só depois, então, podermos manifestar em sons, aquilo que nos impressionou o sentido auditivo.

Ora, uma vez que a música possui o seu sentido lógico e a sua origem real na mente humana, é fácil compreender que as composições musicais produzidas na Terra foram antes vividas mentalmente e depois gravadas astralmente, para só então se projectarem no mundo exterior da matéria. Muitos compositores afirmam que, antes de comporem as suas peças para a instrumentação sonora no mundo, os sons já lhes viviam intensamente no silêncio da alma.

A mesma música que executamos aqui na Terra, no Astral Superior podemos interpretá-la sob melhor instrumentação, ainda muito mais rica de qualidade, porque o fazemos no mundo astral, na verdade, o limiar do mundo mental, que é a fonte original de onde nasce toda a ideia sinfónica.

Por que é que nas cidades espirituais do Astral Superior, chegam a sentir até com “respeitosa emoção” a música que ainda é mais própria da sensibilidade acanhada do homem terreno? Nesse caso não há discordância emotiva?

A grande superioridade de execução, no Astral, transfigura e embeleza de modo indescritível a mesma composição musical que na Terra ouvimos apenas sob a convenção de “ruídos” agradáveis… Embora existam certas semelhanças entre alguns acontecimentos da esfera espiritual no Astral Superior e alguns factos terrenos, é preciso não esquecer que, no Astral, lidam com a origem das coisas que formam o nosso mundo terreno tão opaco de luz e tão longe da leveza astral. Os mais belos objectos, enfeites, edifícios e criaturas terrestres que seleccionássemos para compor a mais formosa paisagem terrestre, ainda não conseguiria dar-nos uma pálida ideia do mais singelo recanto de uma cidade espiritual. Acontece que a fenomenologia do mundo material, ainda não conta com a dádiva positiva da “luz interior” que alenta e impregna todas as coisas e fenómenos de uma cidade no Astral Superior. É recurso divino, que cria para os nossos sentidos espirituais um panorama paradisíaco de cores, luzes, perfumes e músicas, ainda completamente desconhecido à visão do homem encarnado.

Então, podemos imaginar que certo aspecto encantador da Terra se tornasse iluminado interiormente?

Sempre nos referindo ao Plano Astral Superior, embora uma cidade espiritual, ainda reproduza certo aspecto da Terra, tudo nela é plasmado na substância astral, quinta-essenciada, que a torna um mundo de fadas, impossível de caber na imaginação do homem comum ainda cerceado pelo cérebro físico. O mesmo fenómeno ocorre com a música, quando a mesma composição, executada na Terra, “lá em cima”, recebe um banho de luz e de encanto tão divinos, que não é possível identificar a sua feição terrena. Se a 6.ª Sinfonia de Beethoven, consegue despertar no homem as evocações românticas da Natureza, associando as ideias e os desejos de uma vida espontânea, liberta de preconceitos e de amargura, como tanto desejava o seu autor, mesmo assim o homem não alcança a absoluta compreensão do espírito original da música “mental”, que foi inspirada ao seu compositor. E isso acontece, devido ao instrumental medíocre fabricado com o material terrestre, muito compacto e letárgico nas suas vibrações, a par de uma técnica deficiente, que reproduz a capacidade de execução por parte dos próprios músicos encarnados. Então, fragmenta-se grande parte da beleza original da mensagem divina da música, que é uma exclamação de vida dos próprios prepostos angélicos do Pai. E como numa cidade espiritual superior podemos penetrar mais profundamente na essência da música, ainda não conhecida pelos terrenos, ela é ouvida com “respeitosa emoção”, porque é reproduzida por melhor instrumentação, e podemos destacar todos os seus feixes ténues de luz, de beleza e encanto musical, que ainda são desconhecidos ao homem, porque lá alcançam melhor a sua realidade mental.

Podemos conhecer algo mais, quanto à diferença que existe entre a execução das composições musicais terrenas e as que se realizam no Plano Astral?

A rudeza dos instrumentos musicais construídos com material terreno, o esforço heróico que os músicos terrenos despendem para os manusearem com a técnica precisa e o dilema de a peça musical ficar aprisionada à partitura escrita pelo compositor, são factores que perturbam demasiado a fidelidade sonora e a pureza iniciática da melodia. Quando no Astral, por exemplo, é ouvida a 6.ª Sinfonia, a “Pastoral” de Beethoven, através de instrumentos construídos com a delicadíssima substância astral, ela transfigura-se e prolonga extensamente o pensamento sinfónico do compositor, a ponto de se identificar a emoção sideral do próprio anjo que inspirou Beethoven. Em virtude de o espírito encarnado se encontrar aprisionado no escafandro da carne terrena, ele não pode perceber toda a grandeza e potencialidade musical, pois isso só é possível com a utilização de subtilíssimos instrumentos de substância astral, que deixam fluir as melodias sem qualquer resistência à pureza das emissões sonoras. Então, a música torna-se magistral e reproduz com toda a veemência, a ideia sinfónica e concertista trabalhada no plano mental, lembrando o caso de feixes de luzes policromáticas a se filtrarem por finíssimas lâminas diamantíferas, enquanto, através do instrumental terreno, seria como se esses mesmos feixes de luzes atravessassem compactos blocos de vidros fumarentos. Quando os trechos de algumas composições altamente inspiradas, alcançam “lá em cima”, momentos de sublime encanto sonoro, à visão espiritual formam-se deslumbrantes halos de luz, que esvoaçam em torno dos músicos arrebatados pela divina composição que executam.

Algumas experiências de projecções de música, de uma cidade espiritual superior para as regiões trevosas do astral inferior, através de aparelhos apropriados, produzem abençoado alívio a certas enfermidades astrais, devido à refulgência desses halos de luz, que se produzem em conexão com os eflúvios da própria alma dos executantes.

Temos lido em algumas obras mediúnicas que, no Além, alguns espíritos tocam harpas ou cítaras, despertando profundas emoções nos recém-chegados. Cremos que, em face do aprimoramento espiritual das almas moradoras nas regiões astrais felizes, o apego a instrumentos tão antiquados, ou de reduzida expressão musical, poderia contradizer o seu progresso artístico em matéria musical; não é assim? Será possível que, depois de inebriar-mo-nos na Terra, com magistrais orquestras sinfónicas e avançada instrumentação moderna, ainda possamos revelar emotividade musical para com solos musicais de harpa, cítara, celesta ou outros instrumentos antiquados, no Astral?

É certo que, devido ao aprimoramento artístico nas cidades espirituais do Astral Superior, onde predomina o culto pela música elevada, se reduz bastante a preferência por instrumentos antigos, apenas apreciados por alguns grupos de espíritos saudosistas das suas paisagens terrenas que lhes foram familiares. Em geral, são do maior entendimento musical, mas, na sua intimidade, ainda influi o condicionamento psicológico da raça ou país em que tiveram mais encarnações. Sem dúvida, a orquestra sinfónica representa um resumo emotivo da própria heterogeneidade humana, enquanto a cítara e a harpa apenas identificam o sentimento individual da criatura que as apreciava.

Em quase todos os lares das cidades espirituais superiores, existe um instrumento favorito do seu morador e adequado aos solos musicais mais preferidos pelo seu tipo de alma; quer-se dizer que, a técnica ou expressão musical de um instrumento, se afina sempre às características do tipo psicológico e do grau evolutivo do seu executante. O órgão, a cítara, a harpa, o piano, o violino, o violoncelo, a flauta e o bandolim, por exemplo, encontram “lá em cima”, os seus exímios executantes, cuja habilidade artística transforma os seus instrumentos em delicados prolongamentos vivos das suas almas enlevadas por celestiais emoções! Que emocionante alegria, para quem, na Terra, como eu, por exemplo, amadoristamente, amou executar música, depois, poder prosseguir no Além, em tão inebriantes condições! Como a música é um excelente recurso para a alma revelar os seus estados emotivos e mesmo psicológicos, são precisamente os solos executados com esses instrumentos isolados, os mais preferidos para os desencarnados sublimarem as suas emoções e as suas ansiedades angélicas. Mas ainda existem outros instrumentos de maior capacidade interpretativa, alguns semelhantes aos acordeões, outros como inteligente combinação de órgão e piano, movidos por energia astral, lembrando os recursos sofisticadamente electrónicos do nosso mundo. No Além, os moradores também organizam duetos, tercetos, quartetos e quintetos, constituindo-se em grupos melódicos que superam indiscutivelmente as sumptuosas orquestras sinfónicas terrenas porque, além da expressão rica de sonoridade musical, as melodias são impregnadas de tal emoção espiritual dos seus executantes, que se assemelham a divinos cânticos angélicos. É impossível descrever para a Terra a natureza, o prodígio e o fascínio das massas corais e dos conjuntos de almas santificadas que compõem as orquestras sinfónicas e os grupos musicais dos planos felizes do Astral Superior! Trata-se de um acontecimento em que, o vocabulário humano é impotente para configurar pela sua pobreza ilustrativa. Não é possível descrever o efeito magistral do “Aleluia” do “Messias” de Haendel, da “Ave-Maria” de Bach/Gounod e da “Ave-Maria” de Schubert, executadas pelo mais singelo órgão doméstico das moradias astrais.

Quais são os principais factores que tanto põem em relevo as execuções musicais do Espaço, em relação às terrenas? Os instrumentos não são os mesmos, embora manufacturados com outra substância mais quinta-essenciada?

No mundo astral, os sons produzem-se sob o mais perfeito ajuste vibratório com as emanações provenientes das cores, luzes e perfumes, sendo que, muitas vezes, ainda se conjugam à própria temperatura do meio ambiente onde se propagam, criando outros inúmeros fenómenos que escapam ao sentido físico do homem e que nós só podemos perceber com êxito, através da nossa sensibilidade do corpo astral do nosso espírito.

Nas cidades espirituais do Astral Superior, cada nota musical corresponde-se vibratoriamente com todos os campos de vida e actividade astral dos desencarnados, pois repercutem num meio etérico, em que todas as coisas e os seres, também estão intimamente ligados, e então, vibram em simpatia com os sons. No mundo material, as melodias propagam-se na forma de progressivas ondulações e, ainda é necessário recorrer a outros recursos artificiais, como sejam as conchas acústicas, os mais sofisticados amplificadores electrónicos, os teatros ou os templos apropriados para se melhorar o fenómeno e este corresponder à emotividade dos ouvintes. Além disso, os sons materiais, embora assim fortalecidos, ainda se esmagam, fragmentam-se, misturam-se e reflectem-se em retornos, quando lançados em recintos fechados ou entre paredões, perdendo bastante da sua beleza e extensão desejada (entristecendo até alguns músicos sensíveis, após os espectáculos).

Mas nos mundos do astral elevado, tudo participa da música, porque o ambiente clarificado e bastante ténue, é como um oceano atmosférico de luzes, cores e perfumes, que se transforma num campo vibrátil e sonoro, proporcionando espectáculos de beleza deslumbrante e combinações paradisíacas, sob o efeito dos acordes mais sublimes. Os próprios espíritos desencarnados penetram directamente no fenómeno, pois em virtude do seu energismo inesgotável e da organização sensibilíssima do corpo astral, eles tornam-se os receptores directos das vibrações sonoras e sentem-nas em toda a sua configuração do corpo astral do espírito, dispensando a rudeza do equipamento auditivo, mais próprio do corpo físico e que só é utilizável nas regiões inferiores do Astral Inferior, onde a atmosfera astral é pesadíssima e torna compacto o corpo astral.

Os desencarnados, absorvem a música por todos os poros do seu corpo astral do espírito, ao mesmo tempo que participam, consecutivamente, de todos os espectáculos de cores, luzes e perfumes, que se produzem sob o efeito “milagroso” das melodias.

Embora as composições clássicas do nosso planeta, que ainda admiramos, conservem o motivo musical terreno, a sua ideia central, ou seja, o tema musical ou o seu motivo melódico, não passam de produtos que foram inspirados pelas altas esferas celestiais. Algumas comunidades astrais superiores, tornam-se verdadeiros filtros elevados, que dão um tratamento formal a essa inspiração musical do Alto, para depois enviarem-na à Terra e ser aqui materializada pelos instrumentos físicos. Sendo assim, as ideias da música superior descem do Alto e passam pelo Astral Superior em direcção ao mundo material; no entanto, a música bárbara ou luxuriosa inspira-se nas regiões inferiores, onde ainda predomina a força instintiva das paixões carnais.

Essa divina essência musical, cuja origem se processa no mundo íntimo das mais subtis regiões do espírito, só consegue aflorar tão exacta e formosa, à nossa percepção humana, tanto quanto sejam a capacidade e a delicadeza dos instrumentos materiais que devem revelá-la em sons. Conforme se aprimora ou se melhora a instrumentação terrena, é evidente que também progride a sua interpretação. A instrumentação, quanto mais sensível e aperfeiçoada, tanto mais revela com fidelidade o pensamento do compositor. O progresso instrumental vai revelando novos matizes e riquezas de expressões que vivem na mente do compositor, mas que não poderiam ser conhecidos através da instrumentação insuficiente de outrora.

O próprio Beethoven se tivesse ficado encerrado no seu sepulcro e despertasse agora, é provável que desconhecesse a sua própria obra sinfónica, e enorme seria o seu enlevo e êxtase, ao ouvir as suas sinfonias “Heróica”, “Pastoral” e a “Coral”, executadas nas maravilhosas modernas orquestras, que ampliaram o seu pensamento sonoro e deram vida às filigranas ocultas pelos grupos musicais do seu tempo.

Também se cuida do melhoramento da instrumentação nas cidades espirituais?

Assim como o homem se serviu da electricidade e da técnica electrónica para melhorar a sua produção musical, as comunidades astrais também utilizam-se de todos os recursos e progressos energéticos, na intenção de conseguir maior fidelidade na instrumentação musical, a fim de se dar maior extensão e profundidade às melodias que descem do Alto e são filtradas para a Terra. É de senso comum que, mesmo os instrumentos mais rudes que antigamente eram desprezados pelos intérpretes de elite, já evoluíram no decorrer do tempo, e muitos já se afidalgaram de tal maneira que, actualmente fazem parte de grandes orquestras sinfónicas e grupos de câmara, e até lideram famosos concertos, obrigando a majestosa orquestra, submissa, a seguir-lhes as pegadas melódicas e abrilhantarem-lhes os fundos musicais mais requintados.

A constante ascendência dos instrumentos populares, que avançam para a glória de intérpretes musicais, também oferece novos matizes de sons e expressões melódicas originais, que então ampliam e identificam o pensamento dos compositores geniais. O antigo cravo foi substituído pelo piano de cauda; a singela viola ou guitarra espanhola, transformou-se nas respeitáveis guitarra clássica e eléctrica, tendo a guitarra clássica alcançado inúmeras elevadas peças musicais de grande poesia e amor, de compositores para Guitarra tais como Agustín Barrios, Joaquín Rodrigo, Manuel Ponce, António Lauro e Heitor Villa-Lobos, e concertos de elevadíssima inspiração de lirismo, nuances de cores e virtuosismo no seio de um vasto leque de emoções e de texturas orquestrais, por parte de inspirados compositores contemporâneos, como no “Concerto de Gaudí para Guitarra e Orquestra” de Christopher Rouse e no “Concerto para Guitarra e Orquestra [Yi²] ” de Tan Dun; e, actualmente, a harmónica e o bandolim, evoluem e emancipam-se na interpretação da música erudita, graças ao virtuosismo dos seus geniais artistas e intérpretes; aliás, o Bandolim, depois de ter sido introduzido como instrumento solista e de orquestra, na música erudita, por Vivaldi, Grétry, W. A. Mozart, Beethoven, Verdi, Mahler e por Schoenberg na sua dissonante contemporânea dodecafónica “Serenata Op.24”, volta a retomar um lugar de prestígio, tanto ao nível clássico como popular. E o fenómeno torna-se ainda mais prometedor, porque também se introduzem modificações e arranjos nos grupos orquestrais – grandes e pequenas orquestras e grupos de câmara –, e, para além do plano harmónico e melódico, estuda-se o melhor equilíbrio e fidelidade orquestral dos grupos de cordas, metais ou madeiras, para melhor agradarem aos ouvintes, que também se tornam cada vez muito mais sensíveis, cultos e exigentes!

É por isso que, a maioria das composições clássicas muito apreciadas no mundo terreno, continuam a inebriar os espíritos desencarnados que, nas suas comunidades bastante venturosas, as escutam nos seus lares, em encantadoras execuções, graças à instrumentação que também recebe um cuidadoso tratamento técnico e progressista!

Quais são, algumas das composições terrestres mais apreciadas no Espaço, e qual a razão da sua preferência?

Assim como na Terra, Ludwig van Beethoven é um dos grandes preferidos, em virtude das suas monumentais sinfonias! É um dos compositores terrenos cuja obra sinfónica revela maior afinidade instrumental com as orquestras do mundo astral! Afirmam que ele foi um dos mais bem inspirados pelo Alto, e que, sempre transformou em cânticos de amor, as sugestões do mundo mental! Schubert, é querido pela sua obra atraente, pela doçura e amor, pelo capricho e fantasia com que a impregnou, sem no entanto, se afastar da nobreza espiritual. Chopin, embora a sua música melancólica não encontre muito eco numa comunidade que seja repleta de optimismo e vivacidade, é, no entanto, muito apreciado pelos seus prelúdios, nocturnos e estudos de alta sensibilidade espiritual; Schumann, o poeta da música, cuja vida foi um queixume porque não podia aprisionar a força da sua inspiração na precariedade do seu piano, é muito admirado nas suas 4 sinfonias e no concerto altamente emotivo; Wagner, embora a sua música reflicta a força oculta dum mundo em eclosão, evocando lendas e ressaltando a força criadora do sangue, no curso e no atrito das paixões humanas, sob a vontade imperiosa e o domínio mental do espírito, afirma-se, nomeadamente pelo “Lohengrin”. O Santo Graal, o misterioso símbolo da fé cristã, é a base desse monumento musical e, por isso, se torna uma das composições queridas em algumas comunidades, pois, a sua mensagem esotérica é elevado roteiro de iniciação da centelha sideral; esta obra musical da maior expressão iniciática, já no 1.º Acto, revela a mensagem de ascensão espiritual do ser, a outros mundos superiores.

Wolfgang Amadeus Mozart, o glorioso compositor, cuja vida foi um hino de eterna juventude espiritual, tem quase toda a preferência das comunidades espirituais superiores, pois a beleza da sua alma ornamentava e purificava todos os temas, historietas e assuntos que musicava. O próprio Schubert, quando se referia ao “Requiem em Ré menor” de Mozart, costumava dizer que: “Nela se pode ouvir o cântico dos anjos”. Quão fulgurante jorro de luz, iluminava e coloria mesmo as coisas mais vulgares e ridículas, pelo poder da sua alma angélica. Como exemplo, citamos uma das suas mais belas composições, que é a ópera “Flauta Mágica”, que se refere a um assunto burlesco, de uma vulgaridade alegórica do Egipto, com as suas fadas, monstros e serpentes, é uma obra-prima sinfónica do mais encantador lirismo. J. S. Bach e Haendel, com a sua elevada religiosidade; Rossini, que com as suas aberturas derramou a música saltitante e optimista; Tchaikovsky, marcando na 6ª Sinfonia a “Patética”, a introspecção e a dolorosa sensibilidade do exilado no corpo de carne; Brahms, o génio sereno ardendo em poesia com os sons matemáticos; Haydn, generoso e alegre, inundando a sua época com uma música de certa jocosidade espiritual; Olivier Messiaen, religioso, meditativo e místico, na “Sinfonia Turangalîla”, nas “Meditações Sinfónicas para Orquestra – A Ascensão” e “As iluminações do Além”, a expressar a transcendência da fé, do amor e do divino, através da música; tornam-se outros tantos favoritos, cujos monumentos musicais nós podemos viver, vibrando em toda a nossa organização perispiritual, porque mergulhamos no oceano de sons e captamos o alto padrão da ideia central, que ultrapassa a pobreza da pauta terrena, porque no Astral podemos senti-la na sua essência, ou, melhor dito, no seu “espírito musical”.

O tema musical de qualquer composição terrestre, permanece sempre na sua formação original, no Espaço?

Sem dúvida, pois, na essência, a música cá ou lá é a mesma, apenas variando quanto à natureza da interpretação, que lá assume melhor aspecto, devido à delicadeza etérea dos instrumentos no mundo astral.

Os admiradores da música, depois de desencarnados, continuam apreciando e ainda com mais entusiasmo, as suas composições predilectas, surpreendidos por identificarem novos matizes interpretativos que centuplicam a beleza, o encanto, a harmonia e a poesia das suas melodias tão queridas, desde as mais simples às mais cerebrais. É evidente que, à medida que a alma educa o ouvido, na Terra, na audição da música erudita, também se torna mais apta para apreciá-la no Espaço, sentindo um êxtase e júbilo, nunca antes experimentados nas execuções pelos instrumentos terrenos.

Quando nos templos das cidades Astrais se efectuam grandes concentrações colectivas, de elevado grau espiritual, formam-se rasgões argênteos no Alto, e fulgem luzes deslumbrantes que se polarizam no seio do ambiente santificado e em torno dos exímios artistas, que ficam nimbados de suavíssima claridade angélica. Então, eles transformam-se em antenas vivas, a proporcionar ao ambiente um clima de fluidos balsâmicos, susceptíveis de extinguir quaisquer sombras ou resquícios de paixões contraditórias, que ainda possam restar do mundo físico.

O facto de o espírito habitar uma esfera elevada, não devia incentivar nele, o gosto exclusivo pela música celestial, fora de qualquer lembrança ou influência terrena?

Não seria razoável coibir-se a alma na sua preferência por determinado compositor ou produção musical, que lhe tenha sido familiar e agradável, só pelo facto de ela ter desencarnado e passado a viver num plano vibratório superior. A natureza não dá saltos e fornece progressivamente os elementos que devem constituir o cadinho de provas ou o santuário iniciático do espírito. É justo, pois, que, tanto na Terra como no Espaço, continue em evidência a diferença psicológica musical que pode existir entre a preferência pela “Sonata ao Luar” de Beethoven e o “Pierrot Lunaire” de Arnold Schoenberg; a “Serenata” de Franz Schubert e a “Suite de Jazz n.º 2” de Shostakovich; “O Poema do Êxtase” de Scriabin e a majestosa “Tocata e Fuga em Rém” de J. S. Bach, ou, então, os balsâmicos “Nocturnos” de Chopin, em confronto com as dissonâncias do “Quarteto de Cordas n.º 1”, das “Catorze Anotações” e da “Suite Rústica n.º 2” de Fernando Lopes-Graça.

Só porque abandona o seu corpo na cova terrena, o apreciador sincero das composições de Schubert, não sofre violência tão repentina no seu senso psicológico artístico, a ponto de saltar da preferência romântica para a harmonia de dissonâncias sonoras que é a música de Schoenberg, Stravinsky e outros apreciadores das mais cerebrais dissonâncias da dodecafonia, atonalismo e serialismo. É óbvio que a sua felicidade, mesmo no Além, ainda está condicionada aos padrões musicais familiares, que possam identificar a sua emotividade desenvolvida pela Mãe-Terra. Que adianta ouvir “música estranha” ou “melodias elevadas”, se elas ainda não repercutem familiarmente no seio da maioria da alma humana?

Poderíamos acreditar que, a simples preferência pela música erudita, seja suficiente para identificar uma alma evoluída?

O entendimento, o gozo emotivo e o entusiasmo de muitas pessoas, pela música erudita, não é suficiente para se poder considerá-las almas excelsas, porque existem muitos intelectos desenvolvidos e pessoas de educação refinada, no meio privilegiado da fortuna, que são obrigados a suportar certos padrões musicais superiores, sem que isso signifique dedicação ou sensibilidade espiritual. Nos planos astrais inferiores, também vicejam inteligências avançadas e até de grande sensibilidade artística que, em vez de se aplicarem no sentido benfeitor da vida, preferiram a posição de rebeldia, aviltando-se e petrificando-se na linhagem dos génios do Mal. Muitos desses, talvez fossem admiradores da música erudita e, no entanto, ainda não se encontram nas regiões paradisíacas.

Acresce ainda que o sentido psicológico artístico ainda varia na própria preferência musical, pois é evidente que há grande diferença psicológica e emotiva entre o admirador do “Tannhauser” ou do “Anel do Nibelungo” de Wagner e o dos “Nocturnos” de Chopin, ou entre o apreciador da “Ave-Maria”de Schubert e a de Bach/Gounod e o do “Concerto de Câmara para piano, violino e 13 instrumentos de sopro” de Alban Berg. Enquanto algumas peças de Wagner, ainda exalam o cheiro das lendas, a atmosfera lúgubre e mórbida dos cultos pagãos e as práticas da magia-negra – em que ele foi exímio, ao viver a figura de um temido feiticeiro do povo hitita aquando submisso ao Egipto, antes de Cristo – as composições de Mozart são cascatas de pura linfa descida do céu. Wagner, com a sua música telúrica, que vem das profundezas da Terra, interpreta os conflitos das paixões colectivas do orbe; Mozart, traz o convite angélico do Paraíso; Beethoven, canta os anseios de todos os homens e a fraternidade universal, e Bach, incentiva-lhes a religiosidade pura e inata.

Também, há que lembrar o ouvinte clássico que confunde a virtude humilde e a ternura de Schubert, considerando-as como um exagerado sentimentalismo, ou então a juventude espiritual de Mozart como sendo candura poética. Outros, embora cultos na área da música clássica, desejariam extinguir todas as expressões sinfónicas que se movem em torno da emotividade do coração, para que só sobrevivesse a música cerebral dos modernos. No entanto, diga-se de verdade, que é nesta música contemporânea que reside os rudimentos da música saudável do futuro, progressista e limpa dos recalcamentos humanos.

Eis, pois, alguns dos motivos por que os encarnados, não podem avaliar a espiritualidade pura ou a evolução da alma, só pelo facto de o ouvinte ser admirador fervoroso da música erudita. Conforme a preferência por este ou aquele compositor, cada admirador tanto pode perceber as luzes etéreas do céu, como também os refinados ângulos da vida instintiva inferior.

Qual é o sentido emotivo ou o padrão musical mais preferido numa certa cidade do astral superior, entre as composições mais emotivas e as mais cerebrais?

Por exemplo, embora numa predominem as almas cujo fundamental perfil psíquico é mais simpático à antiga Grécia e, também, aos povos de sabedoria e arte semelhantes, são todas de sentimentos universalistas, temperamento jovial e bastante desapegados de seitas religiosas e dos saudosismos nacionalistas. Em música, o seu padrão preferido, ainda é aquele que não obedece a escolas ou preferências à parte, mas endereça-se especialmente à emoção de toda a humanidade e ao sentimento do género humano. A música clássica, erudita ou superior, como a quiserem conceituar, embora ainda possa trazer alguns temas regionais no seu seio sinfónico, que por vezes traem a nacionalidade e psicologia dos seus compositores, é na sua essência mensagem sonora de confraternização e tolerância para com as colectividades humanas, pois é uma só linguagem para todos os povos.

Na música de Beethoven, por exemplo, o sentido amoroso da “4.ª Sinfonia”, a angústia humana da “5.ª”ou a indagação e ansiedade espiritual numa mensagem universalista que domina a “9.ª Sinfonia” – embora se trate de composições de um cidadão alemão que, em certas passagens também trai o perfil sentimental do seu país – são detalhes que, na realidade, interpretam os sentimentos da humanidade. É por isso que Ludwig van Beethoven é admirado e venerado por todos os povos, mesmo pelos mais opostos, porque a sua genial mensagem musical representa as emoções e os anseios de todas as almas.

A música erudita não tem pátria nem é arte exclusivamente nacionalista; isso dá-se com a música regional, porque é o verdadeiro resumo folclórico e conservador dos sentimentos regionais ou nacionais. Mas, a fonte universal onde se inspira a Música erudita, que é o mundo sonoro sem pátria e sem restrições, é a síntese de todos os sentimentos e pensamentos humanos. Na Música, quer seja mais emotiva ou mais cerebral, o que interessa é a sua essência unificadora, pois ambas expressam, precisamente, a grande eterna luta entre a ternura do coração e a força da Mente.

Os espíritos desencarnados também se preocupam em desenvolver as suas qualidades artísticas, à semelhança do que já faziam na Terra? Também manifestam certa preferência particular pela música, poesia, pintura ou arte dramática?

A vida nas cidades espirituais do Astral Superior, é a fonte original das actividades do espírito, enquanto a existência terrena significa a sua continuidade ou o seu prolongamento. Os desejos ou pensamentos cultivados no plano astral, desenvolvem-se e vicejam, às vezes, de modo tão vigoroso, que as más ideias dominam os seus próprios criadores e as boas estendem os seus benefícios além dos seus cultivadores. Os artistas, os santos, os filósofos, os mestres ou líderes espirituais, que regressam da Terra, vemo-los prosseguindo nos seus ideais e sonhos já cultivados com ânimo no mundo terreno, e que depois de desencarnados, mais desenvolvem e fortificam no campo astral das energias mais subtis e plásticas ao pensamento. As artes são aspirações de uma vida santa, porque o artista que se embevece no seu labor e se revela um doador das belezas divinas, mantém no mundo físico, a ideia viva dos panoramas paradisíacos. Nas cidades astrais, como os artistas se encontram libertos do pesado corpo de carne e num ambiente agradável e electivo à sua arte, vivem de maneira a que Deus faça uso das suas almas e por elas plasme nas formas, a Beleza da Criação Divina.

No mundo do Além, aquilo que pensamos, torna-se criação, vivíssima na substância mental que nos interpenetra, capaz de se transformar num facto real e visível, podendo reagir imediatamente sobre nós mesmos. Após a nossa desencarnação, comprovamos que se torna bastante concreto o que na Terra ainda nos parecia simples ilusão. Os artistas desencarnados, ainda continuam a dedicar-se com mais veemência aos seus sublimes ideais artísticos, que tão dificultosamente cultivaram no mundo material.

Existem instrumentos nas cidades astrais, semelhantes aos pianos, violinos, acordeões, bandolins, guitarras ou outros?

Por que não? Então o que é a continuidade da vida humana? O mundo espiritual é realmente a fonte original dos modelos e matrizes de tudo o que constitui a vida na matéria! Na Crosta da Terra, só se manufacturam velhas cópias e insignificantes reduções da verdadeira vida que vivemos no Espaço. No mundo astral, os instrumentos musicais, não só se revelam de aspecto mais agradável à nossa visão, como ainda, devido à sua execução musical, ao seu funcionamento e demais operações técnicas, não prejudicam a poesia musicada.

Como compreender a natureza dessa poesia musicada que, no Astral, os instrumentos, não perturbam, durante a sua execução?

As sinfonias, as obras de câmara e as interpretações musicais, no mundo astral superior, embalam-nos o pensamento e favorecem-nos directamente o espírito, proporcionando-nos um longo êxtase, porque não nos associam qualquer recordação perturbadora durante esse gozo, pleno de emoção angélica. A precariedade visível e funcional dos instrumentos terrenos, que afecta o espírito durante a sua execução musical, não existe no Astral, porque a instrumentação astral não é rude no seu aspecto, nem primitiva no seu funcionamento, mas de substância tão aprimorada que não dificulta a pureza iniciática da música.

Na Terra, apesar da notável execução emotiva ou magistral, que proporcionam as grandes e pequenas obras musicais, o mecanismo instrumental áspero, sempre retira certa parte da majestade e da beleza sonora. Quantas vezes, os músicos da orquestra humana já se encontram embotados na sua sensibilidade artística, porque já repetiram as mesmas composições centenas ou milhares de vezes! Embora elas emocionem e comovam o público entusiasta que apenas as escuta, para muitos desses músicos profissionais tudo não passa, às vezes, de um corriqueiro e mal remunerado ganha-pão. O cenário material ainda não favorece a expressão completa da essência permanente da Arte e do Belo, porque é exíguo de recursos para expressar a realidade perfeita desses valores.

Como podemos entender a precariedade ou o aspecto rudimentar dos instrumentos terrenos, em comparação com os do mesmo género, no Plano Astral?

No mundo terreno, apesar das execuções mais admiráveis, na sua essência, sempre transparecem motivos decepcionantes, enquanto, nas cidades do Astral Superior, essa essência ou espírito da música, nos aflora mais pura e mais bela.

Há uma realidade grosseira, que não podemos deixar de ver, atrás da mais elevada execução musical terrena, e que lhe rouba algo da sua beleza original, perturbando a fidelidade da composição, desejada pelo seu autor. A grande dificuldade para se transmitir o espírito da música para a Terra, ou dos terrenos interpretarem com exactidão a sua essência pura, tanto é proveniente do facto de os seus intérpretes ainda serem homens escravizados aos problemas aflitivos humanos, como da circunstância de só poderem ajustar a sua sensibilidade psíquica a uma instrumentação ainda rudimentar. No entanto, à medida que os artistas, compositores ou músicos se afastam da matéria planetária, também se tornam mais dúcteis e mais fiéis para interpretarem as composições elevadas.

Como os planos etéreos aguçam os sentidos da alma e melhoram a pureza vibracional do som produzido pela delicadíssima instrumentação do Astral, a ideia musical também tem uma expressão mais adequada e fiel à sua beleza original.

Para o entendimento do homem comum, qual é a natureza dessa instrumentação no mundo Astral?

Nas colónias espirituais de ordem mais elevada, a luz, a cor e o som reproduzem os próprios impulsos mentais dos executantes, através de um éter de menor resistência vibratória. Desse modo, os seus instrumentos orquestrais dispensam a conhecida angústia do esforço pulmonar e o controlo respiratório ou, então, a necessidade de pensar primeiro e depois produzir a acção física, pelas mãos ou pelo sopro, como é próprio dos músicos terrenos. Embora ainda exista certa execução algo parecida à terrena, exigindo alguma atenção no movimento das mãos e nas emissões bocais, a maior parte da vibração dos instrumentos é executada pela vontade e pelo pensamento dinamizado dos executantes, que se revigoram e se sintonizam com as vibrações simpáticas dos ouvintes, que mentalmente ainda mais engrandecem a beleza sinfónica e orquestral. No Além, os instrumentos são confeccionados da mesma substância astral luminosa e sem qualquer particularidade depreciativa, o que ainda não podemos conseguir para a interpretação da música divina na Terra. Outra excelente característica dos instrumentos astrais, é que, eles dispensam quaisquer cuidados higiénicos, por que a sua matéria renova-se e subtiliza-se constantemente, quanto mais os usam nas interpretações elevadas. Assim, não perturbam a beleza iniciática da música, como acontece com a instrumentação terrena.

Na Terra, muitos compositores afirmam que sentem a melodia no “ar” ou escutam-na, como se alguém a tocasse, do mundo oculto. Eles são inspirados por outros espíritos desencarnados?

Os compositores do “lado de lá”, alegram-se bastante quando, através de algum cérebro encarnado, conseguem filtrar satisfatoriamente a ideia melódica que mentalizam e executam no plano espiritual.

Eles procuram inspirar os homens e muitas vezes esforçam-se bastante para se situarem na faixa vibratória das emoções humanas, por cujo motivo buscam os artistas e músicos que em espírito melhor se afinem com eles, para mais facilmente materializarem em sons físicos as ideias imponderáveis.

Notamos que a maioria das composições do mundo terreno apresenta sempre alguma familiaridade com as dos músicos já conhecidos e desencarnados; e mal sabem os compositores vivos, que, muitas vezes, são “médiuns musicais”, directamente inspirados pelos seus próprios ídolos do passado, que muito apreciam. Mas nem por isso lhes é retirado o direito de compor, pois, neste caso, os espíritos inspiram mas não compõem à revelia do seu pupilo, assim como não pretendem impedir-lhes o esforço santificado de criarem por si próprios.

Por isso, quando um compositor encarnado é de alma sensível e de índole amorosa, despido de vaidade e de brutalidade, pode atrair a inspiração de um Schubert, Mozart ou Schumann, que também se identificam pelas mesmas emoções e semelhanças morais. O compositor religioso dificilmente deixará de recordar Bach ou Haendel, por cujo motivo pode ser inspirado por esses grandes génios da música, ou então por alguns dos seus discípulos mais avançados. Mas não basta apenas a capacidade de um artista ou compositor para reproduzir o pensamento de um outro famoso compositor desencarnado; é necessário que ele também se afine à sua moral e à sua índole psicológica. Sucede que alguns antigos compositores voltam a se reencarnar novamente na Terra, com o fim de aprimorar o seu próprio pensamento musical do passado; acontece, então, que tomam como inspiração de um outro compositor simpático, já desencarnado, o próprio conteúdo musical que lhes pertencia na existência anterior.

É certo que os artistas do Espaço nem sempre conseguem o êxito completo e a amplitude satisfatória para transferirem as suas ideias musicais para o panorama terrestre. Mas o espírito do compositor que do Espaço, inspira algum músico encarnado, também “sente”, em si mesmo, qual o potencial que lhe será possível transmitir ao seu “médium” musicista e, então, o faz na medida dessa possibilidade. O novo autor terreno, e que às vezes se sente um “inspirado”, percebe em alguns casos, que, muito da sua emotividade espiritual, que impregnou as suas próprias composições, afina-se bastante com os sentimentos deste ou daquele outro compositor preferido. Como o corpo carnal se torna um obstáculo vigoroso para o espírito, porque reduz-lhe os impulsos mais altos, o medianeiro encarnado da música celestial consegue reproduzir nos seus sons ou melodias apenas um ténue reflexo da música pura e verdadeira das esferas angélicas.

Quando os autores desencarnados desejam transferir a sua música por intermédio de outros compositores terrenos, porventura manifestam preferências por determinado tipo de instrumentos?

Eles não se preocupam com a instrumentação, mas sim com o maior êxito para transferirem o seu pensamento, ou seja, a composição mental que depois será materializada em seus sons pelos seus intérpretes terrenos. Sabemos que alguns preferem mais os instrumentos de cordas, porque os acham mais capazes de identificar melhor o psiquismo da criatura angélica, ou a sensibilidade espiritual, enquanto os metais e as madeiras, sempre reflectem melhor as paixões humanas.

Na verdade, quando os músicos do Espaço obtêm algum êxito ao inspirarem os encarnados, o júbilo é recíproco, pois a música elevada ainda é para eles a melhor expressão que vai na Terra para as suas comunidades espirituais. Os artistas e os músicos do Espaço, persistentemente prosseguem nos seus esforços, a fim de que se torne cada vez mais intenso e familiarizado esse feliz intercâmbio de beleza espiritual. Os espíritos desencarnados e aflitos, que ainda permanecem vagando nos lares, hospitais e prisões, ou então em lugares dos quais não podem se desligar por falta de ânimo e energia, reanimam-se e sentem-se balsamizados quando são envolvidos pelas ondas benfeitoras da harmonia musical. Sob as doces vibrações dos acordes musicais, eles aquietam-se e evocam os panoramas afectivos e pacíficos, que então, lhes suavizam a retina espiritual desgovernada; emocionam-se e comovem-se nos oceanos de sons terapêuticos, porque também lhes infundem na alma alguma vibração sedativa de religiosidade benfeitora. Desta maneira, surgem as condições favoráveis para que as próprias entidades benfeitoras possam socorrê-los com mais êxito e auxiliá-los na mudança vibratória para melhor padrão astral.

A música peculiar aos espíritos de uma determinada cidade espiritual do Plano Astral Superior é absolutamente livre de qualquer reminiscência dos hábitos ou dos sentimentos terrenos?

Apesar de as cidades astrais superiores se dedicarem mais à música de alta estirpe e aos acordes que se tornam verdadeiros convites angélicos, ainda transparece oculto nas suas elevadas melodias algo da emoção terrena que vibrou entre egípcios, gregos, persas, árabes e hindus. E para os espíritos de excelente memória etérica, às vezes surge misteriosa cavatina, que ainda lembra os reflexos passionais do povo atlante, aquando da sua profunda e sublime reverência ao Sol, o generoso doador da vida física. Embora se cultivem elevados estados de espiritualidade, distanciados de qualquer expressão de raças, credos ou nacionalidades separatistas, há, na essência da sua música colectiva e de natureza universalista, alguma coisa das manifestações de algumas raças e povos, inclusive as suas características melódicas mais conhecidas. Às vezes, na linha melódica evocativa, subentende-se a descendência latino-mediterrânea, onde se manifesta a pureza das cores que muito engrandeceu a Itália e a Espanha e fecundam os prelúdios das “Ave-Marias”, conjugando-se ao sublime espírito místico, emotivo e carinhoso dos temas religiosos; por vezes, há majestosos acordes que evocam o estilo de Ludwig van Beethoven, a delicadeza romântica de Schubert, a matemática dos sons poéticos de Brahms ou a religiosidade sumptuosa de Bach. Também, não podia faltar o sentimento secular dos asiáticos e, especialmente, dos hindus e chineses, com as suas melodias de fascinantes subtilezas melódicas, que esvoaçam como as asas do espírito mergulhado num oceano de sons cristalinos. Quando essas melodias evocativas de raças, povos e países, que formaram as molduras paisagísticas das nossas vidas passadas, transcorrem fazendo vibrar a atmosfera adelgaçada do astral, o passado aviva-se-nos e sentimo-nos perfeitamente convictos de que somos uma única consciência espiritual buscando a mesma felicidade. A música acelera as vibrações da alma e favorece-lhe as reminiscências adormecidas na memória etérica. Justamente pelo facto de a cidade espiritual ter sido fundada por almas cujas consciências espirituais se demoraram mais tempo pelas civilizações da Grécia e da Índia, é que os seus motivos arquitectónicos e produções musicais, também identificam reminiscências e paisagens onde viveram Platão, Sócrates, Pitágoras e, também, onde trabalharam líderes como Crishna, Buda e outros que andaram pelas margens do rio Ganges.

Por haver ainda muita controvérsia, porventura, há algum inconveniente em se associar a música às reuniões religiosas, espíritas ou iniciáticas?

A música terrena, quando elevada, penetra nas regiões astrais com mais facilidade do que as vibrações da voz humana, pois esta somente é ouvida com muito esforço, pelos espíritos desencarnados. A música exerce uma influência muito grande nos seres humanos, assim como alguns instrumentos também exercem um efeito especial até nos animais. O violino exerce influência sobre os insectos, principalmente sobre a aranha que facilmente se imobiliza ante os seus acordes mais agudos; o cão aprecia melhor o piano, enquanto, a serpente obedece às flautas. Para os desencarnados, os sons musicais, são sempre de maior favorecimento que os ruídos da voz humana, porque eles vibram através das várias camadas etéricas, e chegam de maneira mais perceptível e electiva à sua audição espiritual.

Quando os homens se reúnem em trabalhos religiosos, iniciáticos ou doutrinários, em meditações acompanhadas por elevados acordes musicais, também melhor se faz o ajuste nas relações entre o mundo astral e o carnal, bem como o intercâmbio com os desencarnados de boas intenções. Mas é claro que essa música deve ser de ordem emotiva espiritual, proveniente de instrumentação ou de aparelhagem sensível, que não cause deformação da música, porque as vibrações que formam harmonia com o mundo astral superior, exigem, também, uma produção perfeita. A melodia superior, embora executada por exímios artistas e através de instrumentos perfeitos, já não produzirá efeito salutar e harmónico, se for transmitida ou reproduzida através de aparelhagem rude ou desafinada, porque os espíritos elevados não vibram no seio das vibrações desarmónicas e irritantes.

Dever-se-ia incentivar a produção musical enviada aos desencarnados?

É conveniente que os músicos da Terra saibam que a terapia musical, que já se aplica nos hospitais, prisões, clínicas, consultórios terapêuticos, e que preenche as horas de trabalho e de relações quotidianas, presta grande serviço à espiritualidade, uma vez que comove, acalma e nutre as almas infelizes que ainda se imantam à crosta terrestre e temem enfrentar um novo destino. A música é uma constante afirmação de que existe um mundo de encanto e de sentimentos elevados, em que as nossas almas hão de se refugiar um dia. Ela influi em todas as nossas tendências físicas, morais e mentais; quando escutamos melodias que se associam às nossas mais familiares emoções, a nossa alma anima-se e desperta, e a vida então parece-nos mais alegre. Mas é evidente que o incentivo da música e a sua utilização terapêutica, também exigem aplicações sensatas, pois, seria incoerência que escolhessem o ruído do “Tannhauser” de Wagner, para acalmar o paciente de nervos descontrolados, que muito melhor ajustar-se-ia à sublime paz espiritual do “Clair de Lune” de Debussy ou das “Consolações”, “Nocturnos” e as “Harmonias Poéticas e Religiosas” de Liszt ou do balsâmico “Nocturno n.º 1” de Chopin. Da mesma maneira, a música para o trabalho necessita um tema estimulante e alegre, pois há muita diferença entre a hora de meditar e o momento de trabalhar. Assim como os “Nocturnos” de Chopin ou de Liszt não se afinam ao ruído de uma progressista indústria moderna, as “Viagens na minha terra” [1.ª e 2.ª suites] de Fernando Lopes-Graça também não se concilia com as meditações das horas avançadas. Algumas músicas desvitalizam-nos; outras tornam-nos melancólicos, abatem-nos ou então adormecem os sentidos físicos e acentuam a agudeza psíquica. Em face do dinamismo e avanço dos tempos contemporâneos, estão se alterando alguns padrões e preferências musicais, com o surgimento de uma música toda cerebral, uma exótica combinação da “harmonia das dissonâncias” sonoras, que pedem mais as reflexões da mente do que mesmo o saudosismo evocativo do coração. No entanto, esta é mensagem em afinidade com o sentido mental deste terceiro milénio e, também, com a dinâmica do homem futuro. Ainda bem, avance esta música cerebral, progressista, saudável e mentalista do futuro!

Quando nós, homens, estamos executando peças musicais, porventura, aproximam-se de nós alguns espíritos interessados em ouvi-las?

Sem dúvida! Os espíritos que deambulam pela superfície da Terra, tanto aqueles que estão em missão sacrificial, como os sofredores, sempre buscam ambientes e condições afins aos seus gostos e aos seus condicionamentos psicológicos. É evidente que nenhum espírito sensível, bom e culto, simpatiza com os lugares onde se executa música desagradável e sensual. Essa música gritante e grotesca, misto de ruídos cacofónicos e discrepâncias sonoras, em que o exótico e o absurdo são aceites à conta de genialidade, e que se afina exclusivamente ao espasmo da carne, causa tanta depressão aos bons espíritos, assim como se um eremita fosse bruscamente arrancado da sua gruta e lançado no meio das buzinas, gritos, apitos, blasfémias e berros de condutores alienados, misturados aos tóxicos da fumaça dos carros modernos. As almas delicadas e simpáticas às altas vibrações espirituais, que operam junto à Terra em auxílio dos espíritos infelizes, assim que distinguem pessoas reunidas em torno de qualquer instrumento que interprete música de incentivo às emoções puras do espírito e não aos trejeitos sensuais da carne, aproximam-se e inspiram os seus ouvintes, fazendo-os também comungar num campo de energias elevadas, que inundam os ambientes de vibrações balsâmicas. Daí o motivo pelo qual as músicas elevadas e especialmente dirigidas à sensibilidade da alma, criam ambientes sedativos e de reflexões angélicas, despertando júbilo e compreensibilidade nas faces de todos. Devido à frequência vibratória bastante saudável que os sons harmónicos e de electividade espiritual criam, as recordações, as emoções e as evocações dos presentes elevam-se a um padrão superior, onde se eliminam o pensamento indecoroso e a própria tendência às conversas que tanto macula os lábios humanos.

A música elevada, tanto desperta recordações e alegrias inofensivas, como reduz as fronteiras entre o mundo espiritual e o material, porque as suas vibrações de padrão superior também se conjugam às emoções e aos pensamentos construtivos dos bons espíritos. O próprio lar ou os locais onde se executam as composições de música elevada, impregnam-se de um suave colorido, que desperta a atenção dos espíritos bons e fá-los aproximarem-se, movidos pela ansiedade de encontrar algum ambiente sedativo e de compensação aos fluidos pesados em que se movem na Terra.

Então, devemos considerar impura e indesejável, toda a música que ultrapasse a esfera da alta composição espiritual? É conveniente eliminar definitivamente esses ritmos que só dizem respeito aos trejeitos e às diversões do corpo?

Não se vê razões para se eliminar aquilo que já não serve mais para os nossos sentidos aprimorados. Não esqueçamos que atrás de nós, ainda marcha uma grande caravana humana, bastante trôpega no seu progresso espiritual e artístico, muito necessitada de passar pelas experiências que já realizamos, e que injustamente criticamos só porque agora já somos beneficiados por um entendimento mais amplo da realidade espiritual. À nossa frente, marcham outras almas muitíssimo mais adiantadas, e que também serviram-se das mesmas lições que estamos experimentando actualmente; e, embora elas reconheçam que já lhes são inúteis as coisas que ainda nos servem, continuam a ensinar-nos e a respeitar o que nos parece agradável e útil.

Não devemos ser tão egoístas a ponto de pretender destruir e queimar os degraus que mal terminamos de subir, quando bem sabemos que outros aprendizes ainda nos seguem os passos. O facto de o aluno permanecer longo tempo no solfejo musical, que pode irritar a nossa sensibilidade artística, porque já estamos familiarizados com a produção sinfónica e de câmara da música culta e elevada, não é motivo suficiente para que censuremos o exercício das escalas de música inferiores e irritantes. Beethoven, Mozart, Bach, Schubert, Debussy e Schoenberg, inicialmente travaram conhecimento com a música do modo irritante de solfejar, para só depois atingirem os píncaros da glória e do génio musical. É justo, pois, que permaneçam os ritmos e a música que já nos parecem indesejáveis, mesmo quando ainda digam mais respeito aos trejeitos do corpo do que à sensibilidade do espírito, pois ainda se trata dos solfejos e treinos necessários às criaturas incultas e primitivas, a fim de aprimorarem o seu entendimento sinfónico, que permanece adormecido nas suas almas. É muito grande a responsabilidade consequente do facto de não apreciarmos algo e por isso censurarmos que outros cultivem um direito consagrado pelo seu grau evolutivo.

Muitos espíritos que estão se reencarnando a todo o momento, mal articulam o alfabeto da consciência espiritual e, por isso, na esfera da música, não compreendem a não ser aquilo que lhes desperta os requebros do corpo. Assim como não podemos exigir que os silvícolas se entusiasmem ouvindo as prelecções filosóficas de Kant ou os postulados religiosos dos Vedas, também não devemos exigir que almas ainda presas às paixões sensuais abandonem os seus ritmos musicais primitivos, para se devotarem calorosamente à música erudita. Não resultaria nenhum benefício para as suas almas porem-se a escutar outra música, além daquela que identificasse as suas próprias emoções violentas e paixões animais, porque só o bamboleio musicado é que realmente lhes podem dar escoamento aos arrancos da carne, que brotam da vida inferior.

Não seria lógico e sensato, que se incentivasse as criaturas ao cultivo de uma melhor música?

Indubitavelmente, tudo aquilo que propender para melhorar qualquer arte ou actividade na vida humana, deve ser incentivado, para que a qualidade também se estenda à quantidade. No entanto, até na devoção à música, a alma revela a sua intimidade, por cujo motivo não se pode forçá-la a preferir padrões artísticos que ainda sejam superiores ao grau da sua maturidade espiritual. É louvável que incentivemos a publicidade e o cultivo da música elevada, porém habituando auditivamente as massas populares, pouco a pouco, ao padrão artístico da música superior.

Eliminando-se a música inferior, não seria mais fácil a propagação da música clássica ou erudita?

É necessário reflectirmos que, no mundo, nada deve ser eliminado, porquanto, se Deus cria alguma coisa, ou a permite, é porque inclui um curso, um objectivo ou um ideal a ser alcançado. O trabalho do homem, nunca deve ser o de destruir ou eliminar, mas sim o de criar e melhorar as coisas existentes ao seu redor. Só o egoísmo excessivo induz à violência em qualquer acto ou sector da vida; se temos coisas belas, úteis e agradáveis no nosso orbe, é porque são produtos do cuidado, do carinho e do aprimoramento espiritual de outros homens que nos precederam, quando modificaram as suas formas inóspitas e agressivas. O homem civilizado não é um prolongamento do primata das cavernas ou do selvagem antropófago? Se Deus seguisse o catecismo humano, é provável que já tivesse destruído esse bicho tão feroz, que é o homem, logo no princípio da sua carreira, antes que a cara peluda se transformasse na cara barbeada….

Uma vez que no próprio reino vegetal e animal, há um sentido evolutivo, que pode ser aprimorado e aproveitado para o bem do mundo, não compete ao homem eliminar a música que ele acha bárbara para o sentido estético superior, quando ela ainda atende às necessidades psicológicas das raças primitivas, e reproduz as suas ansiedades íntimas, significando a sua estirpe interior e o meio de exteriorizar as suas emoções reprimidas.

Devemos, então concordar com a música que somente atende aos sentidos físicos e que prolifera no seio da civilização actual, numa demonstração de profundo mau gosto? Pela cultura e educação pública governamental, não se deveria privar a juventude dessa oportunidade infeliz de se entregar desenfreadamente à admissão dos estilos musicais modernos, onde o histerismo conduz aos mais deploráveis ridículos, às cenas mais degradantes, aos consumos alucinantes de álcool e de todo o tipo de estupefacientes, destruidores de grande parte dessa própria juventude?

Quanto a esta última questão, é evidente que para além do mais, inexoravelmente, cabe aos pais, educadores e Governos, uma enorme responsabilidade de sensibilizar, educar e propiciar à juventude, o cultivo pela música elevada!

Tudo é uma questão de boa ou má intenção da alma, pois há um sentido evolutivo em todas as expressões da vida, que propicia ao homem desenvolver os motivos de beleza e utilidade. Entretanto, é possível que no seio turbulento das danças ruidosas, que atendem às expansões da carne, muitos jovens permaneçam com o espírito regrado e fraterno, como é muito comum no seio das danças folclóricas portuguesas, nas danças folclóricas dos eslavos, entre os camponeses dos Alpes e entre as tribos europeias. Primeiramente, há que se exigir a modificação interior da alma, pois a luz interna do espírito sadio, sempre pode rodear de pureza as mais discordantes turbulências das danças modernas. Então, sempre haverá segurança e equilíbrio para o indivíduo, graças ao sentido de alta moral que se desenvolve na intimidade da própria alma, independente de códigos e preconceitos exteriores do mundo profano. Muitas vezes podemos depositar mais confiança na honestidade e inocência dos batuques ruidosos e da gritaria efusiva dos selvagens, nas suas danças pejadas de saltos e berros, do que na convencional festividade que muitos civilizados ociosos promovem à “meia-luz”, nos cabarés luxuosos, regada pelo uísque e outros venenos que mais excitam as intenções subversivas da alma.

Recordamos o surgimento do “Jazz”, que nos primórdios do século XX, se registou entre o povo norte-americano, para muitos puritanos da época, não só prognosticou o fim do mundo, como ainda sofreu a maior condenação dos velhos que pretendiam evitar o mais completo desbragamento da juventude obsidiada por tal espécie de musicalidade que fluía da alma emotiva do povo e aflorava através da carne tenra, resistindo a todas as barreiras que lhe opunham nos púlpitos dos templos, sobrepondo-se a todas as censuras e preconceitos da sociedade sentenciosa. Mais tarde, essa música gritante e estrepitosa, recebeu o melhor tratamento de compositores inteligentes, terminando por incorporar-se nas orquestras requintadas e fazer-se intérprete dos sentimentos de muitos daqueles que a combateram no seu início.

Hoje, o Jazz já teve oportunidade de ser acolhido nos maiores palcos do planeta e sob as abóbadas dos melhores teatros onde já vibraram os acordes das composições dos maiores génios da música humana, visto que, embora pelas veias dessa música agitada circule a sonoridade estrepitosa que ainda mexe com o corpo físico, ela também traduz, por vezes, em linguagem terna e melancólica, as ansiedades e os sonhos de um povo culto. Naquela época, quem poderia prever que, na rudeza selvática do Jazz maluco, inspirar-se-iam grandes compositores clássicos e influenciaria formas musicais das maiores proporções de estrutura europeia que foram conjugadas com a linguagem do Jazz, como sucedeu com Igor Stravinsky ao escrever a obra musical “A História do Soldado” e outras; e Darius Milhaud, ao escrever “A Criação do Mundo”. Nesse Jazz, formar-se-ia o fundamento da maravilhosa “Rapsódia in Blue” de Gershwin, da “Suite de Jazz n.º 1 e n.º 2” de Shostakovich; e, entre outros, até inspiraria o “Concerto para Piano e Orquestra em Sol M” de Ravel?!

Sem que estejamos dominados por qualquer pessimismo exagerado, temos observado que grande parte dos jovens contemporâneos propende para a vulgaridade da música selvática e puramente sensual. Será que se fossem reduzidas as oportunidades de tal manifestação musical inferior, também seria possível desviá-los para outros entretenimentos sob melhor padrão musical? O que dizer?

Apesar da lógica, o êxito não decorreria do facto de se eliminar a música popular e de ritmo sensual, pois, isso não seria suficiente para despertar nos jovens as qualidades sensatas e o gosto afinado para a arte superior. O que é muito importante é o esclarecimento espiritual aos jovens, e ajudá-los sinceramente a compreenderem o sentido da existência humana, que muitos deles já perderam ante o fracasso das religiões organizadas sob exaustivos rituais, mas de entendimento infantil sobre a realidade da alma. Assim que amadurece o seu entendimento, eles sentem-se desamparados ante os dogmas tolos e estúpidos do “pecado original”, irritam-se contra Deus que condena o homem à eternidade do Inferno, por causa de “pecadinhos” que só algum raro santo consegue deixar de cometer; ou então, desinteressam-se da propaganda de um céu de rabecas e cantochões compungidos. Mesmo aqueles que temem as “punições divinas”, guardam a certeira esperança de que, embora pequem à vontade, ainda serão absolvidos na hora da morte, desde que consigam um bondoso sacerdote que lhes encomende a alma.

Sem dúvida, quando, depois de raciocínios tão amargos, os jovens chegam a conclusões sobre o futuro, só lhes restam dois caminhos: ou descrerem completamente do sentido da vida humana e se desbragarem nas paixões do mundo, ou encaminharem-se para doutrinas evoluídas como o Espiritismo, que, devido às suas bases reencarnacionistas e à sensatez da Lei do Carma, ainda lhes podem despertar a tempo, a responsabilidade do espírito e, tolher-lhes os impulsos selváticos da carne rebelde. Ante a maturidade do século XX/XXI e a teimosia das religiões oficiais em não modificarem os seus postulados obsoletos, os jovens modernos guardam a certeza de que seus ensinamentos religiosos não estão à altura da sua evolução mental, convencendo-se de que os pecados e as religiões não passam de tradições tolas em que só crêem os homens ignorantes.

Daí, pois, a necessidade urgente de se demonstrar à juventude, através de provas e raciocínios justos, que o espírito sobrevive à morte do corpo físico, e vem se manifestando desde os milénios passados, tendo vivido em outros corpos e entre outros povos da Terra ou mesmo de outros planetas, e disciplinado sensatamente pela Lei do Carma, que regula e rectifica a “causa” e o “efeito” de todos os actos humanos. Os jovens precisam compreender que o homem inteligente não é o que se fanatiza pelos ritos, crendices e seitas infantilizadas, nem o que se desbraga nos vícios e se arrisca às mais terríveis surpresas do Além-túmulo. A verdadeira inteligência, nesse caso, é a daquele que trabalha sempre pela sua felicidade, aceitando o jugo rectificador da Lei do Carma, mas também lutando seriamente para sobrepujá-la através da sua própria emancipação espiritual.

Quando o jovem se tornar consciente dessa responsabilidade, é evidente que a literatura, a pintura, o romance, a música e o divertimento lhes serão motivos de cuidadosa escolha, como reflexos vivos das suas elevadas emoções interiores. Então, ele também se libertará dos ritmos histéricos e da agitação chocante dos arremedos musicais, que mais se parecem às melopeias estridentes da senzala primitiva, pois, apurando-se a essência do espírito, por lei de correspondência vibratória, também se apura a materialização exterior de todos os seus actos e gestos. Mas, infelizmente, hoje, ainda discutem católicos, protestantes, etc., apontando-se mútuos defeitos e trivialidades doutrinárias, ao mesmo tempo que brigam para salvar os pecadores… Gastam o tempo precioso nas inutilidades das críticas e defesas de postulados do mundo provisório da matéria, enquanto o jovem também se desajusta e se desbraga, descrente de que lhes possam dar conselhos, os mesmos homens que ainda não se harmonizaram nas suas próprias doutrinas!

Relembrando: Mesmo no nosso mundo material de vibrações grosseiras, a MÚSICA é a única Arte que participa e reflecte expressões sublimes daquela espiritualidade em que a alma, embora prisioneira de um corpo carnal, já consegue mergulhar-se no êxtase que fá-la aspirar o suavíssimo perfume das alegrias celestiais!

[Estes textos têm direitos reservados de Autor: I.S.B.N. n.º 972 – 99335 – 2 – 9, Depósito Legal: 221595/20005, (Funchal – Portugal) do Livro “O ADEUS” de GUILHERME DE ABREU CORREIA].

Funchal – Ilha da Madeira, 20 de Setembro de 2011

GUILHERME DE ABREU CORREIA – O Presidente da Assembleia-Geral da Associação de Bandolins da Madeira

[Escritor Espiritualista Universalista e ex-Músico Amador]

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